O jovem por si só é inconformado.
Busca a utopia. Tem energia para lutar por seus ideais. Tem demandas sociais,
etc. Estranha-me muito, aqueles que já se conformaram com o status quo. A falta
de experiência pode ser um obstáculo, mas também é um freio no ímpeto
revolucionário. Com todo o respeito a Sua Santidade o Papa Francisco I, mas
utilizo suas palavras.
Como bem falou o Papa Francisco
I, em uma entrevista concedida à Rede Globo, ainda também me surpreendo com
jovens como eu (mesmo que já com princípio de calvície), já desistiram e
perderam força na luta por seus ideais, se é que já tiveram algum. O Papa,
falou de uma espécie de exclusão das extremidades, exclusão do idoso e do
jovem. Exclusão daqueles que não produzem. O abandono social destes perante os
grupos sociais que estão no centro, à sociedade ativa economicamente.
A sociedade capitalista prega o
consumismo e o individualismo, a exploração do trabalho, etc., contudo, parece
que ultimamente essas consequências estão mais alarmantes do que se imagina. Já
que o mundo todo passa por crises sociais e financeiras, pessoas morrem de fome
todos os dias, crianças não possuem educação, pessoas não tem habitação,
mendigos morrem de frio nas ruas, jovens não tem emprego, idosos não tem uma
velhice digna, e muito mais. Configura-se uma sociedade que aparenta ter esquecido
do principal objetivo dela existir, o ser humano e suas mazelas.
Concordando com o Pontífice,
acredito numa sociedade que vá além de uma união de egocêntricos. Acredito em
uma revolução humanizadora. O mundo precisa se humanizar, precisamos levar em
consideração as relações humanas. A proximidade com as pessoas, a
solidariedade, a fraternidade, a sustentabilidade. Nós seres humanos nos
tornamos indivíduos, e como indivíduos vivemos nossa individualidade, com todo
mérito e direito, contudo nos esquecendo que nossa individualidade convive com
outras, e que todos possuem suas peculiaridades, e não podemos nos afastar uns
dos outros na luta por um mundo melhor.
A partir da entrevista, pensei
nas questões revolucionárias. Que o jovem normalmente é revolucionário, um
movimento natural de sua própria juventude e vigor. No entanto devem estar
atentos à manipulação de seu ímpeto. Então a partir disso elevo meu discurso a
conclamar que nós todos, independente de sermos jovens, devemos lutar por um
mundo no qual as mazelas sociais sejam eliminadas. Se não forem eliminadas, ao
menos combatidas. Mas combatidas da forma correta. E se nossos governantes não
nos representam, então que se mudem os governantes. E se pagamos muitos
impostos, que eles sejam revertidos para a Educação, Saúde e Segurança, tão
precários em nosso país.
Faço um discurso certamente
piegas, mas eu vejo uma falta de vigor, uma falta de sentido para a juventude,
que aparenta que o mundo não tem esperanças de mudanças. Temos que lutar por
nossos direitos, e dialogar com todos. Devemos nos aproximar das pessoas, para
que todas sejam incluídas no processo politizante. Devemos, nós politizados,
politizar. Da mesma forma que cristãos se encaminham a comunidades distantes
para evangelizar. Os caminhos são semelhantes.
O meu apelo é para que sejamos
revolucionários, não mártires. Entendo que devemos todos nos levantar contra as
injustiças sociais que nos afligem. E penso que principalmente os movimentos
sociais tem que estar junto das pessoas. O que muitos já fazem. Mas que as
pessoas participem com sua cota de responsabilidade social. Não adianta fazer
um discurso eloquente contra um governo opressor ou contra uma ideia assim ou
assado, adianta mudar as atitudes, lutar nas formas mais básicas, mudar os
hábitos. Alimentar nossos pobres e educa-los. Eles não estão à margem, eles são
da sociedade também, porque são reflexo da exploração absurdamente imposta a
todos nós todos os dias em nossos lares, empregos, faculdades, etc. A luta
contra a perpetuação de ideias retrógadas, e maléficas à liberdade é diuturna. Não
devemos esmorecer. Sejamos revolucionários, mas não só os jovens, sejamos todos!
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